Relato - Tupã

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Relato - Tupã

Mensagem  Tupã em Qui Maio 29, 2014 4:47 pm

De início, acredito na importância de expor o histórico de meu relacionamento com o universo pornográfico, a fim de que os demais pornólatras se identifiquem (ou não) com as experiências por mim vividas. Imagino que a identificação é uma etapa de relevância num processo de recuperação, uma vez que se os problemas são os mesmos as soluções também o são.
Comecei a ter acesso aos materiais pornográficos por volta dos 12, 13 anos; pelo que consigo lembrar, revistas pequenas com sexo "tradicional". Tive uma educação liberal, o que facilitou a aquisição dessas revistas. Pouco depois, me recordo de ter assistido a um filme pornô (ainda em fita VHS, para os antigos que dela se recordam...rs) e de ter começado a me tocar. No começo, usava a masturbação de forma a simular uma transa real, especialmente no que tange à velocidade; ou seja, imaginava (ainda virgem) a frequência "normal" das entradas e saídas de um pau numa buceta e a reproduzia com a mão. Vem-me à memória que em certo dia estava vendo um filme pornográfico e, na ocasião, notei que o ator se masturbava muito mais rapidamente do que eu, até então, fazia. Ao acelerar a velocidade de masturbação, senti algo estranho no corpo, que culminou com um prazer que me dominou como um todo: seria a primeira vez que eu ejacularia. Naquele dia, imagino ter me masturbado umas 8 vezes, de tão gostosa que foi a experiência. Meu pau chegou a ficar inchado! (rs) A partir desse momento, me masturbaria regularmente e buscaria novos filmes e revistas, sendo certo que à época a internet ainda não era "a" fonte desse tipo de material.
Tive a minha primeira relação sexual aos 14 anos, o que de maneira nenhuma reduziu o consumo de pornografia. Em verdade, a busca pelo prazer era crescente, especialmente porque minha mãe nunca proibiu esse tipo de coisa em casa. Pelo contrário, inclusive comprava pra mim (até eu ter coragem de fazê-lo por mim mesmo, o que não demorou muito tempo para acontecer). Aos 15 anos conheci, por intermédio da internet, uma mulher de 18 anos, o que pra mim era, à época, um verdadeiro feito. Aprendi bastante com ela, se é que me entendem. Bons tempos esses em que uma mulher de 18 anos era mais velha e mais experiente... Rs.
Entre os meus 15 e 18 anos, a internet se tornara uma fonte inesgotável de pornografia. Recordo-me de que naquela época já apresentava indícios de um vício em pornografia, a busca por novas categorias: procurava por fotos de meninas mais novas, adolescentes. Queria saber como era o corpo das meninas da minha idade, me empenhando em encontrar tais fotos (que, apesar de eu também ser menor, eram consideradas ilegais).
Aos 19 anos comecei a namorar, e, pelo que me lembro, nessa época começavam as dificuldades de ereção. Na verdade, eram pouco evidentes. Sempre fui safado na cama; gostava de alternar entre as penetrações e o sexo oral, de forma que a ereção insuficiente era mascarada. Acontecia mais ou menos assim: meu pau subia, eu enfiava na menina, e quando o dito cujo ameaçava perder a pressão eu descia e começava o trabalho com a língua, e depois voltava para penetrá-la.
Namorei por quase 5 anos, no decorrer dos quais o tesão em minha namorada foi progressivamente decrescendo - apesar de o consumo de pornografia aumentar exponencialmente. Não conseguia compreender muito bem o por quê. Cogitei que o problema era com ela. Resultado? Concomitantemente com o namoro, passei a ingerir substâncias entorpecentes (inclusive o álcool, que é uma droga, só que lícita) e medicações para tratar a disfunção erétil, e a sair frequentemente com prostitutas. Esse era o "triunvirato do prazer": prostituição, substâncias químicas e pornografia. Como era de se esperar, o desejo por minha namorada foi reduzido até o ponto de eu não ter mais quase nenhum interesse em procurá-la para transar. Terminamos e o triunvirato continuou por mais alguns anos.
Por diversas razões, há alguns anos decidi que estava me destruindo e que precisava me tratar. Ingressei em uma Irmandade de 12 passos, que trata de determinado comportamento compulsivo e obsessivo, e me mantenho em abstinência (e em recuperação) por mais de 2 anos. Contudo, a pornografia nunca tinha se revelado um problema. Não até agora.
Observei que, mesmo ingerindo medicações contra a impotência e saindo com mulheres cujos corpos eram escolhidos a dedo por mim (prostitutas de excelente padrão), meu pau não funcionava mais direito. Isso era assustador, mas guardei esse impressão só comigo.
Ao ver um vídeo sobre o vício em pornografia e os malefícios que causa fiquei estarrecido. A identificação foi imediata. Outros homens de 20 e poucos anos (atualmente tenho 28) tinham uma história parecida com a minha e passavam pelas mesmas dificuldades, inclusive quanto à ereção insatisfatória! Isso foi libertador para mim. Aquela pornografia, que eu imaginava ser uma aliada ao estímulo e desempenho sexuais, era a destruidora de conexões neurais saudáveis! Ela causava impotência, insensibilidade, incapacidade de excitação com situações reais e vício! A consequência só poderia ser uma: a decisão de que era preciso parar de consumir pornografia, pois eu era um pornólatra.
Captei o máximo de informações possíveis e encontrei o famigerado Yourbrainonporn.com, outros vídeos do Gary Wilson e, por fim, o presente blog e fórum BadPorn. Fiquei feliz por poder dividir com outros brasileiros (ou que falam português) as dificuldades de se desvincular desse comportamento. Sei escrever e ler medianamente em inglês, mas é mais confortável e fluida a conversa em português. Os dados que coletei na pesquisa apontavam para um único norte: era preciso me abster de PMOF (pornografia, masturbação, orgasmo e fantasias), ao menos por um tempo mínimo. Sinceramente? Não quero me ver preso a isso nunca mais, "só por hoje".
Como sou membro de uma Irmandade de 12 passos que trata de um problema que, aparentemente, é mais grave do que a pornolatria, estando abstêmio por mais de 2 anos, pensei em implementar as lições e ferramentas que aprendi para me afastar do vício da pornografia. E mais do que isso: dividi-las com vocês, companheiros de jornada.
O primeiro dia do meu Reboot se deu em 4 de maio de 2014. Portanto, estou limpo de PMOF há 25 dias. Não pretendo escrever diariamente, embora regularmente.
Notei que alguns "companheiros" (utilizando a expressão lançada pelas irmandades, na falta de uma específica para os adictos a pornografia) passaram por recaídas quando tentaram realizar seus reboots. Como experimentei recaídas, no meu outro problema, por diversas vezes antes de me firmar na programação, acredito que tenha algo a passar a vocês. Sei EXATAMENTE a sensação de derrota ao se descumprir uma meta estabelecida. Quero dizer que estamos juntos! O que funcionou para mim e tantos outros, pode agora funcionar para nós.
Se houver interesse por parte da comunidade, continuarei escrevendo com maiores detalhes quais são as ferramentas que tenho utilizado para ficar esses 25 dias limpo de PMOF, sem qualquer recaída. Sei que tenho muito a aprender com vocês. Uma coisa que aprendi é que "eu não posso, mas nós podemos".  Com ajuda, conseguimos ir mais longe do que jamais sonhamos. Acreditem: juntos somos mais. O apoio mútuo é FUNDAMENTAL à vitória sobre qualquer vício.
Estamos juntos no propósito!
Um forte abraço a todos,
Tupã.

P.S.: NÃO CONSEGUI COLOCAR O MEU CONTADOR. NÃO SEI SE A RESTRIÇÃO É GERAL, MAS SE ALGUM ADM. LER ESTA MENSAGEM, POR FAVOR AUTORIZE A MINHA POSTAGEM DE LINKS, PARA QUE POSSA INCLUIR MEU CONTADOR NA ASSINATURA.
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Re: Relato - Tupã

Mensagem  Magrao em Qui Maio 29, 2014 7:14 pm

Bem-vindo, Tupã! Seu relato se assemelha aos da maioria de nós aqui. Também tenho 28 anos. Acredito que somos a primeira geração vítima da pornografia ilimitada trazida pela internet banda larga.

Será de grande valia para a comunidade se você compartilhar seus conhecimentos aqui. Um abraço!

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Re: Relato - Tupã

Mensagem  silvass em Qui Maio 29, 2014 8:58 pm

Seja bem-vindo Tupã!

Seu relato parece que saiu de mim, dada a semelhança da tua história com a minha. Com certeza vamos sair dessa!

Abraço


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Re: Relato - Tupã

Mensagem  Alex-RJ em Qui Maio 29, 2014 11:05 pm

Seja bem vindo Tupã,
Seu relato segue mais ou menos o padrão. Esse vicio silencioso, que pra muita gente é inofensivo, quando descobrimos a real causa do nosso problema (seja DE ou vc não conseguir manter relacionamentos), ele já está enraizado em nossa psique.
Esses 12 passos são importantes. Já li algo a respeito, mas nada a fundo. A troca de experiência é de grande ajuda ao grupo.
Eu venho há muitos anos tentando sair dessa e somente aqui encontrei forças para por em prática aquilo que sempre queria: parar e me manter no controle do vicio...
Força a todos nós!
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Re: Relato - Tupã

Mensagem  Tupã em Sex Maio 30, 2014 1:54 am

Agradeço desde já a recepção calorosa e fortalecedora do fórum, na figura de vocês, Magrao, silvass e Alex-RJ. É MUITO importante ouvir e ser ouvido; perceber que não estou mais sozinho; que outros passaram pelo mesmo caminho de destruição e encontraram a luz no fim do túnel.
De acordo com a experiência que, dia a dia, adquiro na Irmandade, observo que o primeiro passo em direção à recuperação é a admissão de um problema, de um descontrole sobre a minha vida. O ganho é imenso, uma vez que, ao desistir de sair sozinho do buraco, reconheço que preciso de ajuda. "Eu não posso, mas nós podemos".
Talvez pareça estranho, mas, ao me submeter à afirmativa de que sofro de um mal maior do que eu, consigo superar os efeitos negativos desse mal. É uma ideia que normalmente é encarada como estranha, irreal ou ineficaz por aqueles que ainda não a vivenciaram. Trata-se do primeiro paradoxo com o qual um adicto (a qualquer comportamento) se depara ao buscar a recuperação através dos 12 passos: render-se para ganhar. Ao admitir a minha impotência e o descontrole da minha vida, admito que preciso de algo que não consigo extrair somente de mim mesmo, que se faz necessário buscar conhecimento e força para além dos limites que já conheço, que a solução para o meu problema não está em mim, mas numa força superior (que pode ser Deus; ou o conhecimento agregado de toda a coletividade - que aqui chamarei de grupo).
Em síntese, só buscamos ajuda quando reconhecemos que as nossas forças sozinhas são incapazes de superar o mal do vício; que necessitamos de "algo além de nós". E é exatamente o que fazemos ao expor e entregar nossas dificuldades ao Grupo de Viciados Anônimos (toda a coletividade de membros do fórum, por exemplo). Pedimos ajuda a algo/alguém que não seja nós mesmos. Desistimos de sermos nós, isoladamente, a solução única para nosso problema.
O primeiro passo adaptado ao nosso problema poderia ser redigido desta forma:
"1º) Admitimos que éramos impotentes perante a pornolatria e que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis." - optei por colocar pornolatria, pois a "pornografia" excluiria a prática da masturbação e do orgasmo induzido por esta, os quais parecem afetar os membros dos "Viciados Anônimos" em conjunto com a própria pornografia. Então, "pornolatria" = "pornografia" + "masturbação" + "orgasmo induzido por masturbação".
É apenas um pouco da minha experiência, e quero saber da opinião de vocês a respeito do escrito! Por favor, comentem, critiquem, concordem, xinguem, rs. Estou plenamente convencido que nós juntos somos maiores do que cada um somado individualmente ao outro. O nosso conhecimento coletivo é nossa maior fonte de força e coragem.
Para concluir, vou acostar uma foto que expõe uma ferramente FUNDAMENTAL no tratamento dos vícios, a convicção de que preciso me manter abstêmio "só por hoje". E quando um dia for demais, 1 hora, 10 minutos, 5 minutos de cada vez. A VONTADE PASSA, É SÓ ESPERAR!
Estamos juntos no propósito.
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